O Conceito de Qualidade

Conceito-Qualidade 24 de julho de 2012 Nenhum Comentário Postado por Ricardo Keita

Quando pensamos a respeito de qualidade, ficamos confusos e sempre há divergências quando  comparamos nossa opinião sobre seu significado. O principal motivo é que até mesmo a literatura não possui um conceito definido.

Não podemos mencionar que um determinado objeto X possui pouca qualidade, da mesma maneira que não há como comparar que o objeto X possui mais qualidade que o objeto Y. Dizemos que algo ou possui qualidade ou não possui.  Entendido isso não vamos confundir os termos qualidade e valor.

Mas então, o que se entende por qualidade?

Na literatura, embora não exista consenso sobre que aspectos a categoria qualidade ou valor deva incorporar, há uma tendência a estuda-la sob três grandes vertentes. Uma, que trata da qualidade ou do valor transcendente (ou filosófico, ou metafísico) da informação; outra, que se baseia nos aspectos intrínsecos e outra nos atributos contingenciais.

Para fazermos uma analogia, imagine um martelo comum feito de aço, o cabo de madeira, uma ferramenta considerada de qualidade. Sua funcionalidade é: martelar ou retirar pregos.

      1. O valor transcendente é o reconhecimento do valor da informação como absoluto e universalmente aceitável. Qualidade nesse sentido aproxima-se da ideia de excelência, é extra temporal e permanente, mantendo-se, portanto com as mesmas características através dos tempos e nos diversos lugares, apesar das mudanças de gostos e estilos.

Dessa forma nosso martelo seria reconhecido como a melhor ferramenta para cumprir com suas funções, ela não precisa ser modificada, pois está na sua forma perfeita. Mas vejamos bem, independente de cultura e localidade, será que qualquer um vai pensar a mesma coisa? É uma visão utópica, autores sobre o assunto dizem que o valor está sempre na dependência de sua utilização por usuários particulares em ocasiões particulares. E não é difícil achar uma situação exemplar, repare que ferramentas semelhantes existem desde tempos antigos e lá não existia prego, então provavelmente nosso martelo seria utilizado para outra finalidade. Sendo assim, o valor transcendente não pode ser atingido em si, mas é dependente do ponto de vista do usuário.

      2. Quando falamos dos aspectos intrínsecos referimos aos valores inerentes ao dado, ou ao documento e, em geral, à informação. Alguns autores consideram o valor transcendente como equivalente ao valor intrínseco.

Nesse caso a qualidade do martelo, significa que o nosso objeto cumpre com todos os requisitos descritos, tais como feito de aço e o cabo de madeira, ambos sobre condições impecáveis. Garante também que o martelo cumpra com seu dever que é martelar ou retirar pregos. Qualquer defeito ou falha, comprometendo sua funcionalidade, seria reduzido a 0%. É bem parecido ao valor transcendente, mas há uma diferença notável, a qualidade em seu aspecto intrínseco garante suas características e funcionalidades descritas, mas não seu reconhecimento como absoluto.

      3. Em relação aos aspectos contingenciais ou práticos da qualidade da informação, a tendência mais marcante na literatura é o enfoque no usuário. A proposição central é a de que o valor ou a qualidade da informação depende do usuário e do contexto em que é considerada. O usuário, quer individual ou coletivo, faz o julgamento da  informação.

Ou seja, é muito subjetivo, vamos imaginar que alguém precise de um martelo azul feito de plástico. O nosso martelo pode atender a todos os requisitos descritos e ser o Top 1 da “sociedade dos martelos”. Mas caso não cumpra com os requisitos que o usuário necessita, não será qualificado.

      Apesar de constatado o privilégio do usuário, grande parte das definições de qualidade da informação consideram também o lado objetivo da avaliação da informação, ou seja, os atributos do produto-informação, tais como dados, documentos, textos. A qualidade assim definida pode ser tratada em termos precisos e identificáveis, podendo ser mensurados e quantificados.

Digamos que, o nosso martelo possui certificação ISO, então por meio de avaliação, ele atende a diversos requisitos necessários, todos precisamente descritos. Sabemos que a ISO é uma maneira de garantir a padronização do processo, de forma que nosso objeto, digamos que, mantem os aspectos intrínsecos. Mas não se confunda, pois um objeto com certificação de qualidade, não garante a isenção de defeitos, tal como a qualidade intrínseca.

A qualidade é considerada uma categoria multidimensional, por isso há tantas definições e tantos conflitos acerca desse assunto.  As empresas hoje em dia buscam a excelência e sabemos que a qualidade anda junto. Por isso há muitos estudos sobre qualidade e como fazer para obtê-la.
Obrigado, e um grande abraço a todos!

Bibliografia:
Artigo: Problematização do conceito “Qualidade” da Informação

Sobre - Ricardo Keita

Graduando em ciência da computação na UFV, atuou como gerente de qualidade na No Bugs em 2008, foi diretor do departamento de qualidade em 2010 e 2011. Atualmente ocupa o cargo de presidente do Conselho Administrativo da No Bugs e é coordenador da célula temática de qualidade da Ceempre.

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